Doutor, eu tenho medo da lipo!

Algumas vezes no consultório eu me deparo com essa frase... "Doutor, eu tenho medo da lipo!" ou então "A lipoaspiração não é perigosa, não?". Ao longo dos últimos anos criou-se essa temerosidade em torno da lipoaspiração. Nos meios de comunicação, não é incomum vermos notícias relacionadas a complicações de cirurgia plástica e quase sempre a lipoaspiração está no meio.


As mídias (não todas, é claro) que propagam com eloquência os relatos de complicações, são as mesmas que muitas vezes mostram a lipoaspiração como um procedimento corriqueiro, com risco zero, extremamente simples, de recuperação super-rápida e é tanto que vez por outra as pessoas dizem: "É só uma lipo". Quase não consideram a lipoaspiração uma cirurgia.


A lipoaspiração é uma cirurgia, que possui riscos, assim como qualquer outra. É um procedimento do especialista em Cirurgia Plástica e, por isso, só deve ser feita por um cirurgião plástico membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Para chegar a isso, são necessários 6 anos de faculdade de medicina, 2 anos de residência em Cirurgia Geral e 3 anos de residência em Cirurgia Plástica. 11 anos!


O que vejo cada vez mais são profissionais não capacitados, que fazem cursos de medicina estética e se consideram aptos a fazer uma lipoaspiração. Divulgam a ideia de que fazer uma região de cada vez é mais seguro e os pacientes são muitas vezes atraídos pelos baixos valores.


Acontece que os hospitais sérios não permitem que lipoaspirações sejam feitas por profissionais que não sejam cirurgiões plásticos, desse modo precisam fazer no consultório, onde há maior risco de infecção e não há o devido suporte para tratar qualquer complicação, por menor que seja e quando elas acontecem, vão parar nos jornais e na internet, e na manchete aparece "Morre paciente após lipoaspiração". Mas quando se lê a reportagem, foi feito por profissional sem preparo, em consultórios ou em clínicas com pouco ou nenhum suporte. E associado a isso, as pacientes são mal orientadas e operam sem parar de fumar, usando anticoncepcionais, muito acima do peso... Enfim, um erro atrás do outro!


Um professor meu dizia: "Fazendo tudo certinho, às vezes alguma coisa dá errado, imagina fazendo tudo errado!"


Recentemente, foi ao ar no programa Bem Estar da TV Globo uma reportagem exatamente sobre tudo o que eu explicitei acima. Das 6 mortes noticiadas no ano de 2016, nas 6 os profissionais não eram cirurgiões plásticos, um era ginecologista, outro médico do trabalho, outro não tinha nenhuma especialização e por aí em diante. Segue o link sobre a matéria e o vídeo da reportagem completa onde o convidado, o Dr. Luis Henrique Ishida, faz algumas considerações.


http://g1.globo.com/bemestar/noticia/2016/07/lipoaspiracao-e-o-procedimento-cirurgico-que-mais-mata-no-brasil.html


Detalhe para a manchete!! "Lipoaspiração é o procedimento cirúrgico que mais mata no Brasil", o que corrobora o que havia dito antes. Apesar da reportagem ser bem esclarecedora e retratar os fatos como são na realidade, quem só leu a chamada e não leu o resto, vai ficar com a ideia de que lipoaspiração é realmente um procedimento perigosíssimo! Mas enfim, creio que de outra forma eles não conseguiriam atrair a atenção do leitor.


A lipoaspiração é uma cirurgia segura quando é feita em ambiente hospitalar, por um cirurgião plástico, que vai fazer uma completa avaliação da(o) paciente, afastando fatores de risco como tabagismo, uso de anticoncepcionais e outras medicações e vai oferecer um adequado seguimento pós-operatório evitando irregularidades, fibroses, infecções, entre outros. E caso quaisquer complicações apareçam, o cirurgião plástico saberá escolher o melhor tratamento.

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